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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bicho fêmea



Uma noite qualquer ela despiu-se por inteiro. Deixou suas vestes finas de mulher executiva jogadas na poltrona do quarto.

E nua olhou-se no espelho. Pela primeira vez, em vinte e poucos anos olhou-se sem julgamentos e com generosidade.

Soltou seu cabelo e deixou os rebeldes cachos ruivos descerem pelos seus ombros, tocando sua pele branca como a paz.

Então, admirou seu próprio corpo com aqueles olhos azuis marejados diante da sua própria beleza. E começou a vestir-se como lhe mandava seu desejo.

Começou com a lingerie mais sexy e minúscula que já pegara nas mãos. Nas pernas bem feitas, meia calça arrastão. Um top preto transparente, uma micro-saia e um sapato vermelho de salto extremamente fino completaram o figurino.

Maquiou-se destacando os olhos e colorindo seus lábios de carmin. E antes de sair olhou mais uma vez no espelho e prendeu uma flor no lado direito do cabelo.

Dirigiu calmamente até uma travessa da Augusta. Parou, desceu do carro. Gostava da sensação de ser ali, apenas uma mulher, esperando pelo seu homem.

Quando ela ajeitava o cabelo, ele parou o carro, abriu o vidro e disse:
- Gostosa, vem cá...

Ela abriu um sorriso, sentindo-se a mulher mais desejada do mundo. Caminhou até o carro e debruçou para chegar perto dele. Com as mãos sedentas, ele acariciou os dois seios dela e continuou:
- Quanto é o programa?

Ela soltou uma gargalhada deliciosa... Aproximou sua boca bem perto da dele e disse:
- Pra você é de graça.

E depois de ser amada de todas as formas, sem medos nem pudores, num hotel chuleiro do centro. Ela descobriu que dentro de si não havia apenas uma mulher e uma menina. Exista uma fêmea num cio intermitente.

E naquela noite de sexo selvagem regada por orgasmos intermináveis e palavrões ditos com vontade, ela conheceu o bicho-fêmea dentro de si.



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