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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os dez mandamentos



Os dez mandamentos que sigo na minha vida não são os bíblicos. Sigo os dez mandamentos do mestre da liberdade, Osho.

Pra quem não conhece, aí vai:

1. Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.

2. O único Deus é a própria vida.

3. A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.

4. O amor é a oração.

5. O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.

6. A vida é aqui e agora.

7. Viva completamente acordado.

8. Não nade, flutue.

9. Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.

10. Pare de buscar. O que é, é: pare e veja.

Seguir esses mandamentos não lhe garantirá um lugar no céu. Se é que existe algum céu. Mas talvez, ajude a deixar as opiniões alheias para trás. E permitir que somente seus sentimentos autênticos, aqueles que lhe acompanharão além da vida floresçam.
Porque nem a morte poderá tirar sua dança, as suas lágrimas de alegria, a sua liberdade, o seu transbordar de amor. Então, viva a vida tão perigosamente quanto possível. Viva-a totalmente, apaixonadamente. Porque exceto a vida, não existe nenhum outro deus.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fantasias



Ele era um homem interessante, tinha a dualidade necessária para despertar meu interesse sexual. Um executivo sofisticado, elegante, usava abotoaduras de prata e camisas de punho duplo, um dos meus fetiches. Tinha um corpo másculo, cara de homem e um par de olhos tranqüilos. Mas atrás daqueles olhos verdes e daquela polidez típica de um sujeito bem criado, existia um amante voraz. E eu me deliciava há tempos na sua sanha sexual. Mas depois de viver com ele todo tipo de aventura e experimentar sensações limítrofes de prazer, parecia que nossa vida sexual tinha caído na monotonia. Há tempos não me excitava mais transar na varanda do apartamento, imaginando São Paulo inteira me vendo, ou sair sem calcinha e dar um jeito de me mostrar pra ele em lugares públicos.

Não sei se o problema era comigo, ou se era com ele ou talvez fosse conosco. Mas muitas fantasias passavam na minha cabeça, como sempre. Mas agora o meu foco era outro. Os meus sonhos e delírios eram repletos de figuras femininas. Mulheres ousadas, diferentes entre si, mas todas com aquele olhar de desejo despudorado, se oferecendo ao prazer. Uma delas perturbava meus pensamentos, ainda não me revelara seu rosto, mas tinha um corpo bonito, forte e um escorpião tatuado no seio esquerdo.

A imagem daquela tatuagem fazia com que eu perdesse um longo tempo imaginando minha língua percorrendo aquele desenho azul escuro, contornado-o e redesenhando-o um milhão de vezes até alcançar o bico do seu seio de uma forma quase infantil e sugá-lo como uma criança. Não, com essa figura até aquele momento eu não tivera o desejo de me mostrar, ou de ser possuída. Eu a via ali, com seu corpo deitado em repouso num divã de veludo preto, numa sala enorme com cortinas carmim, como uma musa que estivesse pousando a um artista. Mas na verdade ela pousava pra mim... Sim, para que eu pudesse brincar no seu corpo com a minha língua e meus lábios.

E nas minhas fantasias, eu descobria novos desenhos na sua pele, mas era como se a visão não fosse o mais importante, eu descobria suas tatuagens as acariciando com a ponta da minha língua, como se eu sentisse na boca o gosto de cada figura que ela trazia impressa naquele corpo. Naquele dia, eu descobri um ramo de rosas pequenas que começavam no ossinho do tornozelo do pé direito e ia até quase o seu dedinho. E fiquei deitada na minha cama imaginando-me ajoelhada aos seus pés, percorrendo cada uma daquelas rosas com a minha língua e as regando com o roçar dos meus lábios.
Perdida nesse filme mental que passava na minha cabeça, olhei a cena um pouco mais distante e pude ver aquela mulher deitada meio de lado naquele divã. Então observei que além da pele bronzeada, tinha longos cabelos castanhos cacheados caídos sobre seu dorso nu.

Aquela imagem provocou reações no meu corpo, então a imaginei num cavalo alado, negro, com asas enormes, vestida com trajes sumários de uma guerreira medieval, com uma espada na cintura cavalgando pelo ar com seus cabelos esvoaçantes na minha direção. Na minha fantasia, ela me suspendia pela mão, me sentava à sua frente e cavalgávamos sobre as copas das árvores, sentindo as folhas roçar os nossos pés descalços. A cada movimento que o cavalo fazia, ela esfregava com mais força seus seios nas minhas costas e apertava mais fortemente ainda meus seios nus com as suas mãos.

Enquanto minha mente viajava nessa cavalgada, minhas mãos acariciavam meu corpo. Percorrendo cada parte dele, mas a sensação na minha pele, era que as mãos que me tocavam eram maiores e mais fortes que as minhas. Eram as mãos da minha guerreira alada.

Então tirei a camiseta para que pudesse sentir melhor o toque nos meus seios. Eu os apertava com força, exatamente da forma que ela fazia no meu filme mental. Fui me desfazendo do shortinho que ainda estava no meu corpo, para que ficasse nua, exatamente como me via em cima daquele cavalo. Mas de repente, na minha imagem, um salto mais brusco do animal fez com que eu abrisse mais as pernas e então sentisse meu sexo roçar de uma forma excitante naquela cela. Aquela imagem me provocou tesão e me fez pegar o travesseiro ao meu lado e me deitar de bruços e de joelhos roçando meu sexo na lateral dele como se ele tivesse se transformado naquela cela. Movimentava meu corpo pra frente e pra trás e na minha fantasia a corrida daquele cavalo fazia com que eu me masturbasse deliciosamente naquela cela.
Enquanto continuava apertando os meus seios e me esfregando naquele travesseiro, a guerreira alada tirou a mão direita dela do meu seio, desceu acariciando meu ventre, enquanto com seu corpo me empurrou um pouco pra frente, fazendo com que meu sexo ficasse mais pra cima da cela e começou a deslizar seus dedos por ele. Nesse momento, eu já tinha atirado o travesseiro pra fora da cama e deitada de costas, com as pernas abertas, deslizava meus dedos pelo meu sexo todo. Ele pulsava, e estava tão inchado e molhado, que era impossível não gemer ao mais sutil movimento.

Então senti a guerreira enfiar de uma vez só dois dedos dentro de mim. De uma forma tão forte, que ela chegou a levantar meu corpo com sua mão. Eu já tinha dois dedos da minha mão dentro do meu corpo e gemia sem parar de prazer em imaginar aquela mulher selvagem me devorando sobre aquele cavalo alado. Foi quando com a mão esquerda ela virou meu rosto pra trás e vi seus olhos negros cheios de desejo por mim. Mas não tive tempo de observá-los mais atentamente porque ela me segurou pelo maxilar e enfiou sua língua na minha boca com um anseio de me comer inteira.
E quanto mais forte podia sentir sua língua rija na minha boca, com mais força ela me comia com seus dedos. E eu transpunha os meus dedos com tanta força no meu sexo diante daquela imagem mental, que não demorou muito eu gozei na minha fantasia, enquanto sentia meu gozo escorrer pelos meus dedos. Eu queria mais, mas a guerreira e seu cavalo alado sumiram da minha mente.

Então abracei um travesseiro com as pernas, outro com os braços e adormeci. Ainda embebida pela sensação do gozo que minha guerreira me dera. Não sei por quanto tempo dormi, mas acordei com o toque do Maurício pelo meu corpo. Não abri os olhos, naquele momento imaginei que quem adentrava o quarto era minha amada guerreira, que deslizava as mãos pelo meu corpo ainda dormente. Mas o Maurício colou seu corpo no meu, enquanto lambia minha nuca querendo me acordar, senti o roçar do seu sexo na minha bunda, imaginei então que minha guerreira usava um dildo com cinta, e que o tinha vestido para mim. E sem abrir os olhos, virei de frente pra ele, ficando com o corpo de lado, coloquei minha perna esquerda sobre o seu quadril para que ele pudesse me tocar e ofereci minha boca.

Ele me beijou com desejo, enquanto sentia seus dedos no meu sexo. Ele molhava no meu gosto e passava nos meus lábios e então num ritual erótico, lambia meus lábios antes de enfiar a língua na minha boca. Eu imaginava a cara de tesão da minha guerreira lambendo os meus lábios e isso me excitava mais ainda. Ele enfiava seus dedos em mim, enquanto roçava sua boca na minha orelha... E então me disse:

- Como você quer que eu te coma?

Imaginei a guerreira alada ajoelhada, eu deitada com as pernas nos seus ombros e ela me comendo e massageando meu clitóris olhando para minha cara de tesão. Então mostrei rapidamente como eu queria e deixei que ele conduzisse tudo para poder voltar à minha viagem.

Na minha fantasia estávamos num estábulo, com os animais em suas celas, eu deitada numa cama de feno, ela de joelhos, me puxava pelas pernas bem pra cima, eu ficava com a bunda no seu colo e colocava minhas pernas nos seus ombros. Ela me olhava profundamente nos olhos, enquanto segurando o seu pau começava a penetrar em mim com vontade. Enquanto eu via essa cena, o Maurício começou a penetrar em mim e não sei dizer se porque imaginava que quem me comia era a guerreira, aquilo foi me dando um prazer absurdo, eu me contorcia, roçando as costas na cama, cada vez que seu pau me fisgava mais fundo. O Maurício segurava na minha virilha com as mãos, para abrir ainda mais minhas pernas e poder me penetrar mais fundo, e eu imaginava as mãos dela fazendo isso e seu olhar safado me dizendo que fazia aquilo para que eu sentisse mais prazer ainda. Não sei o que aconteceu, mas fui me desconectando do meu corpo e vi então minha doce guerreira tirar o seu dildo da cintura, descer uma das minhas pernas do seu ombro, enquanto se deitava lateralmente, me segurando para que eu sentasse com meu sexo no seu com nossas pernas entrecruzadas. Olhando nos meus olhos, ela tocou com seus dedos nos lábios do meu sexo e então eu assumi os comandos daquele balé esquisito.

Montada sobre ela, eu dançava com o meu sexo misturado ao seu. E era um prazer tão intenso que eu tinha a sensação que ela me comia enquanto eu mesma a devorava também. E não demorou muito, olhei nos seus olhos brilhantes e podia ler neles que a explosão se aproximava... comecei a mexer meu corpo mais rápido, ela apertava minha bunda com as mãos para que nossos sexos penetrassem mais ainda um no outro e então me entreguei aquele orgasmo sem fim. Mas de repente sua imagem sumiu, abri os olhos e vi o Maurício em cima de mim, depois de termos gozado juntos. Ele me beijou e depois virou para o lado. Isso normalmente me irritava nele, mas naquele momento queria que ele dormisse profundamente, precisava ficar sozinha com meus pensamentos e descobrir porque a imagem da minha guerreira tinha sumido tão subitamente da minha mente após ela me dar um orgasmo tão delicioso quanto aquele.

Amo pessoas





A maioria das vezes eu silencio. Os que me observam ao longo da vida, quando me olham nos olhos acham que sou apenas uma mulher comum. Mas essa seria apenas uma meia verdade. Sou comum, mas também tão diferente.

Mas quem poderia me julgar?

Os falsos moralistas que determinam aos outros como devemos ser ou sentir? Nunca aceitei tais julgamentos. Vivo minha vida da forma que eu quero. Enfrento problemas? Muitos, mas não traio a mim mesma.

Certo ou errado. Eu decido. Meu corpo é meu templo e toca nele quem eu permito que invada meu espaço sagrado. Se homens ou mulheres. Isso diz respeito somente a mim.

Afinal, por mais que haja certo estranhamento com o nome, sou sim uma bissexual.
Não saberia dizer se prefiro homens ou mulheres. Já tive um grande amor homem, já tive um grande amor mulher.

Acho que nasci assim. De quem é a culpa? Da genética? Dos meus pais? Mas de verdade, será que isso realmente tem importância?
Quando amo, sou leal. Seja namorando um homem ou uma mulher. Então porque tanta estranheza da sociedade?

Será que ofereço perigo, porque tirando os homens gays, todo o restante é paquerável? Sim, posso paquerar mulheres heteros, lésbicas, homens... Tenho um universo bem maior de possibilidades.

Mas não pense que tudo é um paraíso. Não, não é. Porque embora as bissexuais femininas sejam quase invisíveis, somos vítimas de muitos preconceitos.

Transitamos por qualquer mundo. E despertamos o interesse sexual das lésbicas, dos homens, de outras bissexuais. Mas quando a história envolve sentimentos, namoros, compromissos... Aí sentimos os preconceitos na pele. As lésbicas têm medo de nós, medo que num deslize venhamos a traí-las com um homem. E isso pra uma lésbica é a morte. Os homens, embora uma mulher feminina transando com outra igualmente feminina faça parte de seus fetiches, e adorem ter duas na sua cama, quando o assunto é relacionamento, seu lado machista fala mais alto e preferem as tradicionais heterossexuais.

Eu gostaria que as pessoas nos entendessem melhor, que pudessem compreender como funciona o desejo e o amor dentro de nós. Talvez o preconceito diminuísse.

Eu amo pessoas. Pessoas despertam meu desejo. E as vezes essas pessoas nasceram num corpo de homem, outras num corpo de mulher.

sábado, 15 de maio de 2010

Amores anônimos





Cinco horas da tarde, pequenas frestas de luz entravam pela janela e desenhavam escalas no chão do quarto. Ela levantou da cama, vestiu um roupão de seda azul e caminhou sobre as notas em direção à sala. Puxou o pano branco que cobria o seu piano. Sentou-se e deixou que seus dedos longos traduzissem em música seus sentimentos.

Então tocou Beethoven, um trecho da nona sinfonia. A perfeição musical pra ela. E de olhos fechados, apenas ouvindo os sons que seus dedos extraiam das teclas de marfim, cenas passavam na sua mente. Imagens da sua vida, misturadas às cenas de Isabella Rosseline e Gary Oldman no filme Minha amada imortal.

Do outro lado da cidade, ele voltava pra casa caminhando lentamente. Também sonhando que pudesse existir um amor assim: imortal.

Eles tinham a mesma profissão, o mesmo signo, fumavam a mesma marca de cigarros. Mas sabiam pouco da vida cotidiana um do outro. E ainda assim se amaram.

Talvez por um dia, por um mês, por um ano ou uma década. Mas se amaram. Com toda a totalidade da entrega e com toda a fantasia dos sonhos.
E por não permitir que a mente ou a razão explicasse o que sentiam, entregavam sua alma um ao outro cada vez que se encontravam acordados ou dormindo.

Muitas foram as vezes que chorando ela o amou. E tantas outras que o amando derramou lágrimas.

Algumas madrugadas ele acordou sufocado de saudade. Outras tantas ela sentiu medo e acordou com a voz doce dele, que dizia que a protegeria. E nesses momentos ela não era mais uma mulher , nem ele apenas um homem. Misturavam-se feito anjos caminhando pelas estrelas.

Mas no piso dos asfaltos, seus pés continuavam a caminhar individualmente. Ele mergulhava em seu trabalho, escrevendo sobre as tragédias humanas. Ela coloria seus textos escrevendo sobre as tendências de maquiagens para próxima estação.
Não se viam. Mas suas palavras escritas cruzavam-se em textos mesclados aos olhos dos leitores.

Alma-gêmea


O velho bruxo andava ao redor da fogueira, no meio da clareira. Quando levantou os olhos não podia acreditar na beleza de Lorena.

Ela tinha o corpo apenas enrolado por seis véus coloridos. Os cabelos para trás presos com um longo véu branco, como um beduíno, e os seios desnudos. Usava a roupa das sacerdotisas de Isis nas danças de entrega. Lorena parecia decidida, num tom altivo pediu a ele que colocasse uma música e que fechasse um círculo ao redor deles. Rendido à sua beleza, o velho bruxo obedeceu. Ligou a música, fez suas invocações e fechou um grande círculo ao redor. Lorena então ordenou:

- Sente-se. Vou dançar pra Deusa e pra você.

Então invocou a Deusa Ísis.

Ele sentia o seu coração disparar diante da beleza daquela sacerdotisa e da força de sua Deusa que se fazia presente para receber a sua oferenda. A dança dos sete véus era um dos mais famosos, belos e misteriosos ritos primitivos. Não era praticada em ritos de fecundação, mas pelas sacerdotisas dentro dos templos da deusa egípcia Ísis. A sacerdotisa oferecia a dança para a deusa, que existia dentro dela, e que lhe dera beleza e força.

Lorena olhou fixamente com seus olhos verdes esmeraldas nos olhos negros de Ramon, levantou seus braços acima da cabeça, unindo as palmas das mãos e num movimento lento, começou a mexer seu ventre. Era a dança do primeiro véu: vermelho, que representava o planeta Marte e o chackra básico. Ela desceu suas mãos, segurou o véu pelas pontas e projetando seu corpo para frente, fazia movimentos giratórios com o seu quadril ativando a energia desse chackra. Ramon estava sentado bem à sua frente e tinha a cabeça na altura do ventre de Lorena, que ao dançar, quase encostava seu sexo no rosto dele. A música nesse momento tinha algumas batidas e os quadris de Lorena acompanhavam o ritmo. Em seguida arrancou o véu da sua cintura com as duas mãos e passando com ele por cima da sua cabeça o atirou fora do círculo. Sua retirada representava a vitória do amor cósmico e da confiança sobre a paixão.

Lorena ergueu seu rosto, olhou nos olhos de Ramon e de uma forma altiva fez um movimento baixando seu corpo para frente mostrando-lhe imponentemente seus seios desnudos. Virou de costas para ele, moveu seus quadris enquanto com as mãos já ia levantando o véu laranja até a altura dos ombros. O véu do planeta júpiter e o cackra sexual. Ela virou-se de frente e contorcendo seu ventre como uma serpente fez com seu corpo um movimento que lembrava o número oito. Ramon mal conseguia respirar, estava paralisado diante daquela explosão de sensualidade.

Os braços abertos de Lorena pareciam duas serpentes, e com a perna direita aberta, tocando o chão com a ponta do pé, movia o quadril em várias direções. Mas não tirava os seus olhos dos de Ramon. Arrancou o segundo véu e jogou sobre ele, o véu do impulso dominador do sexo.
Já com as mãos segurando as pontas do véu amarelo, do sol, do plexo solar.

Lorena mexia os quadris rapidamente, de um lado para o outro e o seu abdômen fazia um movimento de baixo pra cima, deixando-a ainda mais sensual. Ela puxou o véu para frente, tampando com ele os seus seios. E o jogou para o alto representando a confiança, alegria e a esperança.

Nesse momento, seu corpo fazia enormes ondulações e com os braços levantados, fazia movimentos de mãos olhando para Ramon. Lorena não sabia explicar o porquê, mas existia um prazer enorme dentro de si, em exibir-se para aquele bruxo daquela maneira. Ela gostava de sentir aqueles olhos negros desejando cada parte do seu corpo.

Com a mão direita, Lorena puxou o véu verde de mercúrio e do cardíaco. Cobriu seu rosto com ele, e dançou bem próximo ao rosto de Ramon. Num movimento que ora vinha com o lado direito, ora com o lado esquerdo do quadril. O bruxo estava ofegante, e também não tentava disfarçar sua excitação. Lorena abaixou um pouco seu corpo e curvando-se para frente, fez um movimento de busto dessa dança, só que roçando seus seios no rosto de Ramon. Puxou o seu véu e cobriu-o com ele. O véu que representava o equilíbrio entre os opostos.

Enquanto dava dois passos para trás. Respirou e pegou o quinto véu. O véu de Vênus e do chackra laríngeo. Cobriu seu rosto com ele. Ramon observava a respiração de Lorena. Ela estava ofegante e seus movimentos mostravam o quanto seu corpo estava tomado de tesão. Começou a mover-se como uma serpente, fazendo um imenso S em sentido ascendente. E então atirou mais esse véu ao chão. O véu de toda expressão.

No corpo de Lorena só tinha agora um véu, preso a uma corrente dourada no seu quadril. O sétimo estava na sua cabeça. E já segurando o sexto véu de cor lilás, de saturno, ela dançou sem sair do lugar. Nas pontas dos pés, movendo o seu ventre pra frente e pra trás. E em poucos segundo lançou o véu que representava a conquista da consciência plena para fora do círculo.

Lorena estava nua. Na sua cintura apenas uma corrente dourada e na cabeça o véu branco. Ela ficou um longo tempo fazendo um movimento de busto e mexendo o ventre sem sair do lugar. Naquele momento a Deusa teria que entender, ela dançava o último véu exclusivamente para Ramon. Com as pernas fechadas, cada vez que movia seus quadris sentia o roçar do seu sexo entre as suas coxas e isso lhe dava um prazer absurdo.
Ramon olhando nos seus olhos teve a certeza que naquele momento a divindade era Lorena. Ele estava diante de uma deusa. Então se levantou e fitando seus olhos apreciou a última dança, do último véu. Lorena estava em transe, o velho bruxo só não sabia se era um transe espiritual ou um transe causado pelo desejo que transbordava dos seus olhos.

E segurando o véu com as duas mãos, aquele que representava a pureza interior, Lorena puxou-o pra baixo cobrindo seu rosto e ao mesmo tempo soltando os seus cabelos avermelhados. Com o véu cobrindo seu rosto deu um passo a frente e encostou seu corpo no de Ramon. Tocou os seus lábios nos dele, separados apenas por aquele fino tecido e então entregou seu corpo num abraço. A respiração deles era ofegante. Ramon apertava forte o corpo de Lorena contra o seu. Quando Lorena soltou do corpo de Ramon, tinha lágrimas nos olhos e a certeza que estava diante de sua alma-gêmea.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Aceitação


Desde muito cedo ela aprendeu a enfrentar o mundo. Não a brigar com o mundo.

Deixou seus cabelos soltos ao vento e caminhou descalça sentindo o orvalho na grama pela manhã sob os seus pés. Amou, foi amada. Chorou, sorriu... Entregou-se.

Aprendeu a ser grata por tudo. Tornou-se artista da grata aceitação. E fez do seu coração, o seu guia interior.

Pois entendeu que a vida precisava conhecer uma variedade enorme de experiências para tornar-se rica. E descobriu que se fosse capaz de conhecer diversos aspectos da existência e ainda assim continuar inteira, sua vida se enriqueceria mais ainda, a cada momento, a cada dia.

Então olhou para a sua própria vida como um processo dialético. Compreendendo que a noite trazia o dia. E que do vazio surgia um novo preenchimento.

E que tudo estava em conexão... Que tudo era parte de um Todo orgânico.

E que a vida em si, nada mais era do que uma tela em branco. Onde cada um escolhe como colori-la. Pode-se pintar o êxtase, pode-se pintar a miséria.

Ela escolheu pintar um lindo florescimento da consciência. Deixando que a vida fluísse tão perigosamente quanto possível. Para que pudesse recebê-la apaixonadamente.

Porque para ela, exceto a vida, não existia nenhum Deus

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eu, você e o Todo




Você pode voltar-se pra trás e descobrirá que tudo o que aconteceu na existência até agora, aconteceu para que eu e você pudéssemos acontecer.

De outro modo não aconteceríamos. Estamos todos interconectados. Somos apenas uma pequena parte de uma grande cadeia infinita.

Tudo o que existe está envolvido em mim e em você. Somos, no agora, o ápice de tudo o que nos precedeu.

Em nós, todo o passado existe. E de nossas ações virão as ações resultantes e delas outros resultados e outras ações.

Eu desaparecerei, você desaparecerá.

Mas o que quer que tenhamos feito continuará. Terá reverberações através dos tempos. Até o final absoluto.

Estamos no meio do tempo. O passado e o futuro encontram-se infinitamente dentro de nós, em ambas as direções.

E carregamos internamente as sementes do que nascerá amanhã.

Então somos nesse momento totalmente o passado e integralmente o futuro. Porque o agora é tudo. Eu sou tudo e você também. O Todo está em jogo em mim e em você

O Todo nos atravessa.

O Todo está envolvido em tudo. Tudo está dentro de tudo mais.

Dizia um mestre indiano que se você tocar uma folha de grama terá tocado todas as estrelas.

Por isso, meu coração desmancha em compaixão para com tudo. E meu peito enche de gratidão e respeito por tudo.

Porque tudo está envolvido em mim e em você. E o Todo está envolvido em todos nós.