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sábado, 15 de maio de 2010

Alma-gêmea


O velho bruxo andava ao redor da fogueira, no meio da clareira. Quando levantou os olhos não podia acreditar na beleza de Lorena.

Ela tinha o corpo apenas enrolado por seis véus coloridos. Os cabelos para trás presos com um longo véu branco, como um beduíno, e os seios desnudos. Usava a roupa das sacerdotisas de Isis nas danças de entrega. Lorena parecia decidida, num tom altivo pediu a ele que colocasse uma música e que fechasse um círculo ao redor deles. Rendido à sua beleza, o velho bruxo obedeceu. Ligou a música, fez suas invocações e fechou um grande círculo ao redor. Lorena então ordenou:

- Sente-se. Vou dançar pra Deusa e pra você.

Então invocou a Deusa Ísis.

Ele sentia o seu coração disparar diante da beleza daquela sacerdotisa e da força de sua Deusa que se fazia presente para receber a sua oferenda. A dança dos sete véus era um dos mais famosos, belos e misteriosos ritos primitivos. Não era praticada em ritos de fecundação, mas pelas sacerdotisas dentro dos templos da deusa egípcia Ísis. A sacerdotisa oferecia a dança para a deusa, que existia dentro dela, e que lhe dera beleza e força.

Lorena olhou fixamente com seus olhos verdes esmeraldas nos olhos negros de Ramon, levantou seus braços acima da cabeça, unindo as palmas das mãos e num movimento lento, começou a mexer seu ventre. Era a dança do primeiro véu: vermelho, que representava o planeta Marte e o chackra básico. Ela desceu suas mãos, segurou o véu pelas pontas e projetando seu corpo para frente, fazia movimentos giratórios com o seu quadril ativando a energia desse chackra. Ramon estava sentado bem à sua frente e tinha a cabeça na altura do ventre de Lorena, que ao dançar, quase encostava seu sexo no rosto dele. A música nesse momento tinha algumas batidas e os quadris de Lorena acompanhavam o ritmo. Em seguida arrancou o véu da sua cintura com as duas mãos e passando com ele por cima da sua cabeça o atirou fora do círculo. Sua retirada representava a vitória do amor cósmico e da confiança sobre a paixão.

Lorena ergueu seu rosto, olhou nos olhos de Ramon e de uma forma altiva fez um movimento baixando seu corpo para frente mostrando-lhe imponentemente seus seios desnudos. Virou de costas para ele, moveu seus quadris enquanto com as mãos já ia levantando o véu laranja até a altura dos ombros. O véu do planeta júpiter e o cackra sexual. Ela virou-se de frente e contorcendo seu ventre como uma serpente fez com seu corpo um movimento que lembrava o número oito. Ramon mal conseguia respirar, estava paralisado diante daquela explosão de sensualidade.

Os braços abertos de Lorena pareciam duas serpentes, e com a perna direita aberta, tocando o chão com a ponta do pé, movia o quadril em várias direções. Mas não tirava os seus olhos dos de Ramon. Arrancou o segundo véu e jogou sobre ele, o véu do impulso dominador do sexo.
Já com as mãos segurando as pontas do véu amarelo, do sol, do plexo solar.

Lorena mexia os quadris rapidamente, de um lado para o outro e o seu abdômen fazia um movimento de baixo pra cima, deixando-a ainda mais sensual. Ela puxou o véu para frente, tampando com ele os seus seios. E o jogou para o alto representando a confiança, alegria e a esperança.

Nesse momento, seu corpo fazia enormes ondulações e com os braços levantados, fazia movimentos de mãos olhando para Ramon. Lorena não sabia explicar o porquê, mas existia um prazer enorme dentro de si, em exibir-se para aquele bruxo daquela maneira. Ela gostava de sentir aqueles olhos negros desejando cada parte do seu corpo.

Com a mão direita, Lorena puxou o véu verde de mercúrio e do cardíaco. Cobriu seu rosto com ele, e dançou bem próximo ao rosto de Ramon. Num movimento que ora vinha com o lado direito, ora com o lado esquerdo do quadril. O bruxo estava ofegante, e também não tentava disfarçar sua excitação. Lorena abaixou um pouco seu corpo e curvando-se para frente, fez um movimento de busto dessa dança, só que roçando seus seios no rosto de Ramon. Puxou o seu véu e cobriu-o com ele. O véu que representava o equilíbrio entre os opostos.

Enquanto dava dois passos para trás. Respirou e pegou o quinto véu. O véu de Vênus e do chackra laríngeo. Cobriu seu rosto com ele. Ramon observava a respiração de Lorena. Ela estava ofegante e seus movimentos mostravam o quanto seu corpo estava tomado de tesão. Começou a mover-se como uma serpente, fazendo um imenso S em sentido ascendente. E então atirou mais esse véu ao chão. O véu de toda expressão.

No corpo de Lorena só tinha agora um véu, preso a uma corrente dourada no seu quadril. O sétimo estava na sua cabeça. E já segurando o sexto véu de cor lilás, de saturno, ela dançou sem sair do lugar. Nas pontas dos pés, movendo o seu ventre pra frente e pra trás. E em poucos segundo lançou o véu que representava a conquista da consciência plena para fora do círculo.

Lorena estava nua. Na sua cintura apenas uma corrente dourada e na cabeça o véu branco. Ela ficou um longo tempo fazendo um movimento de busto e mexendo o ventre sem sair do lugar. Naquele momento a Deusa teria que entender, ela dançava o último véu exclusivamente para Ramon. Com as pernas fechadas, cada vez que movia seus quadris sentia o roçar do seu sexo entre as suas coxas e isso lhe dava um prazer absurdo.
Ramon olhando nos seus olhos teve a certeza que naquele momento a divindade era Lorena. Ele estava diante de uma deusa. Então se levantou e fitando seus olhos apreciou a última dança, do último véu. Lorena estava em transe, o velho bruxo só não sabia se era um transe espiritual ou um transe causado pelo desejo que transbordava dos seus olhos.

E segurando o véu com as duas mãos, aquele que representava a pureza interior, Lorena puxou-o pra baixo cobrindo seu rosto e ao mesmo tempo soltando os seus cabelos avermelhados. Com o véu cobrindo seu rosto deu um passo a frente e encostou seu corpo no de Ramon. Tocou os seus lábios nos dele, separados apenas por aquele fino tecido e então entregou seu corpo num abraço. A respiração deles era ofegante. Ramon apertava forte o corpo de Lorena contra o seu. Quando Lorena soltou do corpo de Ramon, tinha lágrimas nos olhos e a certeza que estava diante de sua alma-gêmea.

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