
Desde muito cedo ela aprendeu a enfrentar o mundo. Não a brigar com o mundo.
Deixou seus cabelos soltos ao vento e caminhou descalça sentindo o orvalho na grama pela manhã sob os seus pés. Amou, foi amada. Chorou, sorriu... Entregou-se.
Aprendeu a ser grata por tudo. Tornou-se artista da grata aceitação. E fez do seu coração, o seu guia interior.
Pois entendeu que a vida precisava conhecer uma variedade enorme de experiências para tornar-se rica. E descobriu que se fosse capaz de conhecer diversos aspectos da existência e ainda assim continuar inteira, sua vida se enriqueceria mais ainda, a cada momento, a cada dia.
Então olhou para a sua própria vida como um processo dialético. Compreendendo que a noite trazia o dia. E que do vazio surgia um novo preenchimento.
E que tudo estava em conexão... Que tudo era parte de um Todo orgânico.
E que a vida em si, nada mais era do que uma tela em branco. Onde cada um escolhe como colori-la. Pode-se pintar o êxtase, pode-se pintar a miséria.
Ela escolheu pintar um lindo florescimento da consciência. Deixando que a vida fluísse tão perigosamente quanto possível. Para que pudesse recebê-la apaixonadamente.
Porque para ela, exceto a vida, não existia nenhum Deus

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