
No instante que mergulharam um nos olhos do outro pela primeira vez ela sabia que ele era o homem por quem ela esperava desde menina.
E como num conto de fadas, o seu príncipe a levou nos braços e a fez rainha da sua vida cada um dos dias dos três anos que viveram juntos.
Mas numa noite sombria seu coração parou. O mundo abriu sob os pés dela.
No momento que recebeu a notícia, ela dançava ao redor de velas e incensos na sala da casa deles. E derramava lágrimas de amor em agradecimentos pela vida ter lhe trazido o maior amor do mundo.
Ela se despediu dele com todas as flores brancas que conseguiu encontrar e com cheiro de incenso de mel. Depois, jogou suas cinzas no mar, nas árvores, na terra. Acreditou que assim, cada vez que o vento viesse dançar com os bambus ele também viria dançar com ela.
E passou dias e dias em silêncio, lembrando das palavras que ele dissera poucas semanas antes de morrer: que a morte não separava e que ela nunca estaria sozinha. Pois mesmo que ele se fosse, cada vez que ela fechasse os olhos sentiria no seu coração que ele estava ali. Inteiro, pulsante dentro dela.
Uma manhã ela acordou, olhou-se no espelho e decidiu que viveria não só por ela, mas também por ele. E que se nunca mais conseguisse amar, tudo bem. Ela tivera a honra de viver o maior amor do mundo. Viveu a totalidade da entrega, amou e foi amada.

Nas suas palavras até a dor vira poesia. E quem te conhece sabe que seu coração é isso: uma fonte inesgotável de amor. Lindo, lindo.
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